Artigo Guga: a importância de referências no esporte

Amigos,

(Foto: Diana Ribas) Campeonato Brasileiro de IPSC II Etapa - Guga RibasHá tempos não escrevo meus artigos para o nosso site, fato que sempre me foi muito prazeroso. Infelizmente a falta de tempo pela correria do dia a dia e a responsabilidade de manter preservada a missão de nossa empresa acabou por provocar esse afastamento. Contudo, não poderia haver momento melhor do que este para eu voltar a compartilhar com vocês minhas opiniões e experiências: neste mês, completam-se 20 anos sem Ayrton Senna e, no último fim de semana de abril, tivemos a participação de Eric Grauffel na etapa do Campeonato Brasileiro de IPSC. Isso me fez refletir sobre a importância de referências e grandes nomes do esporte para todos que os praticam. Perto – aliás, perto demais – de completar meus 50 anos de vida, e quase 37 em competições, tenho o prazer de dizer que tive a enorme honra de ter como “rivais” e concorrentes dois fenômenos nos esportes em que participei e de alguma forma me destaquei: kart, automobilismo e Tiro Prático. Sem desmerecer os demais fortíssimos atletas desses esportes, esses dois fenômenos foram meus contemporâneos e pude conviver – cada um à sua época – com eles não só como atletas, mas como pessoas, compartilhar o dia a dia, aprender com acertos e erros de ambos. Eric e Ayrton engrandecem o esporte e os atletas.

No fim de semana de 26 e 27 de abril, participei da segunda etapa do Campeonato Brasileiro de IPSC. Esta foi uma prova de suma importância para mim. Depois de quase dois anos voltei a vencer uma prova nacional, e sem tentar arranjar desculpas por esse hiato de vitórias, pois já estou muito velho para isso, o fato é que o compromisso recente com a Guga Ribas Company tem prejudicado o lado esportivo, o que é natural. Além disso, pela primeira vez na vida, estou sentindo os reflexos da idade. Sem conseguir a preparação física e o foco ideal no esporte e nos treinamentos, é claro que os resultados deixam de aparecer. Como costumo dizer, a competição é apenas a ponta do iceberg. Há todo um trabalho que muitas vezes não é visto, mas que se não for feito os resultados acabam inconsistentes. E como sempre disse, não sou um atleta nato. Se eu não puder treinar – e muito – os resultados não acontecem mesmo. Em um ano de Mundial – competição que me motiva muito – isso é muito ruim. Porém, com o crescimento da empresa, a demanda de trabalho é enorme e não posso abrir mão disso. Todo o ciclo de preparação para a competição fica prejudicado, os resultados não aparecem e, é claro, isso frustra. Comigo não é diferente. Mas ainda há tempo e não estou pronto para desistir!

A etapa de Brasília foi extremamente técnica, um dos melhores campeonatos que já pude disputar até hoje, com grande dificuldade e exigência de todos os fundamentos. Estou feliz por ter ganhado a prova nacional, sem dúvida. É uma enorme responsabilidade, ainda mais por ver a felicidade de muitos dos meus amigos do esporte pela minha vitória. Mas, até por eles me conhecerem bem, posso dizer que na verdade eu apenas errei menos nessa prova. E ainda assim errei muito. Digo isso sem demérito algum aos principais concorrentes – até porque ficamos muito próximos no resultado. Apenas seis pontos separaram os três primeiros colocados. Sei o nível em que estou, que ainda é longe do ideal. O que deixa isso evidente é o resultado do Eric Grauffel, com mais de 25% para mim que fui segundo no overall. Mesmo que eu esteja longe dos treinamentos, é uma diferença muito grande. São dois sentimentos conflitantes: estou feliz por vencer uma prova tão difícil, por outro lado, constatar a distância que ainda estou para o principal atleta do mundo incomoda demais.

(Foto: Diana Ribas) Campeonato Brasileiro de IPSC II Etapa - Guga Ribas e Eric Grauffel

Eric Grauffel e a importância de um gênio no esporte

O mundo do IPSC coloca Eric Grauffel em um posto de intocável. O que é merecido. Ele é um fenômeno, desde muito novo, e tem sido ainda mais atualmente.  É difícil ser o melhor em qualquer esporte, mas é muito mais difícil se manter no topo. Já são 15 anos de hegemonia do Eric no IPSC. O que ele faz em cada prova, a disciplina que tem quando compete – seja num Mundial ou numa prova de clube – é incrível.  Com absoluta certeza, Eric pode ser comparado a grandes fenômenos de outros esportes. Tenho muito orgulho de ser amigo e da mesma geração esportiva dele - temos 16 anos de diferença um para o outro. É um cara que já teve seu momento mais “estrela”, é verdade, mas sem jamais perder a simplicidade que lhe é característica. Em todas as vezes que o vi, ele foi incapaz de recusar uma foto a quem quer que fosse, está sempre brincando com os adversários nas competições. E, além disso, é extremamente detalhista, prestando atenção em cada um dos concorrentes e em cada um de seus movimentos.

É preciso louvar a imagem que o Eric carrega para o IPSC. Sua história e resultados como atleta, sem nenhum medo de errar, é comparável aos grandes mitos do esporte. Senna, Pelé, Michael Jordan, Usain Bolt, Michael Phelps, Roger Federer, entre outros… Eric Grauffel é um fenômeno. Acredito que nós, contemporâneos dele no Tiro Prático, deveríamos tirar proveito desta convivência. Mostrá-lo ao mundo como atleta e como pessoa, fora do nosso mundinho do IPSC certamente traria benefícios importantes ao nosso esporte. Ainda mais no Brasil. É um esporte de alto nível, de preparação intensa, e Eric Grauffel exemplifica isso muito bem. Quantos atletas, em qualquer esporte, podem dizer que estão há 15 anos no topo? Isso mostra o preparo constante deste atleta de 34 anos, um jovem ainda. Tenho prazer de parabenizá-lo por ser a pessoa e o atleta que é. Dificilmente teremos, num futuro próximo, um esportista como ele.

(Foto: Reprodução/Facebook) Eric GrauffelSobre o próximo Mundial, sei que minha tarefa, pela minha falta de tempo e dedicação aos treinamentos será bem mais complicada do que foi no último. Mas sou um apaixonado por competições e isso me faz tirar forças de onde não acreditava ter. Sei que vou chegar mais bem preparado e com toda seriedade e comprometimento vou fazer o meu melhor.

Para terminar, mais uma vez estarei integrando uma equipe do Brasil, só que pela primeira vez estarei competindo na categoria Senior em um Mundial e me dedicarei a ela como sempre fiz, esperando contribuir o máximo possível para que conquistemos um lugar no pódio. Mas devo admitir que não esquecerei o resultado Overall, mesmo com a plena consciência de minhas limitações momentâneas.

Parabéns ao Eric pela consistência e disciplina após tantos anos competindo no IPSC. Manter-se no topo é para poucos. Aumentando a diferença para os adversários, é ainda mais restrito. Eric é um fantástico exemplo para nós atletas, juniores ou seniors, novatos ou gran másters.  Muito obrigado, Eric!

Um forte abraço a todos e até o próximo artigo.

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