Jiu Jitsu: A disciplina por trás de um esporte

Tornou-se impossível escutar a palavra jiu-jitsu e não fazer uma ligação ao Brasil. Arte Suave, esse é o significado da palavra japonesa que começou a ser difundida no país através do judô e ficou ainda mais em evidência com o surgimento das competições de MMA (artes marciais mistas).

No início do século XX japoneses desembarcaram no Brasil e trouxeram consigo o judô. Gastão Gracie, um dos primeiros e maiores entusiastas do esporte no país, incentivou seu filho Carlos a começar nos tatames. Diante do corpo franzino e do pouco peso, o menino passou a desenvolver novas técnicas de solo para finalizar e surpreender seus oponentes. É aí que começa a história do jiu-jitsu brasileiro.

Carlos Gracie foi o principal responsável pelo surgimento da arte suave brasileira. Não só a parte de contato foi revolucionada, com o desenvolvimento da luta de chão, mas também os atributos psicológicos.  No entanto, nem mesmo em seus melhores sonhos Carlos poderia imaginar que o jiu-jitsu brasileiro se tornaria referência no mundo inteiro, sendo a arte marcial mais praticada depois do judô.

(Foto: Site Lutamais - Daniel Egle) Respeito e disciplina são os principais valores passados aos atletas.

(Foto: Site Lutamais – Daniel Egle) Respeito e disciplina são os principais valores passados aos atletas.

A família Gracie espalhou diversos “discípulos” pelo mundo, entre eles a família Moraes, dos irmãos campeões mundiais Diego e Daniel. Com academia própria, o mestre-treinador de diversos atletas do UFC e Bellator (competições de MMA), Diego conta um pouco da sua história e destaca os benefícios do esporte na sua vida, já que segundo ele, “já nasceu no tatame”.

- Venho de uma família muito tradicional no Jiu Jitsu, meu tio começou a treinar com Helio Gracie e montou a primeira academia da família na Ilha do Governador com o filho do Helio, Relson Gracie. Então já nasci no tatame. Acredito que o esporte é necessário na vida de todo ser humano, ter uma vida saudável e praticar atividade física é fundamental. As artes marciais, se praticadas com bons professores, além de ter esse papel físico, agrega outros valores como respeito, disciplina, autoconfiança e outros.

E são exatamente esses outros valores citados pelo faixa preta Diego Moraes o principal motivo para a mudança da imagem do jiu-jitsu brasileiro perante a mídia e a população. Antes o esporte era diretamente associado à violência e hoje é reconhecido como um esporte disciplinador e que mudou centenas de vidas.

- O que vejo de mais extraordinário no jiu-jitsu é a capacidade de transformar as pessoas. No fim do ano passado, um menino que nunca havia praticado nenhuma modalidade começou a treinar conosco. Em seis meses, ele perdeu 25 kg, não falta uma aula sequer e nunca esteve tão feliz. Muitas crianças chegam acima do peso, com dificuldade para se relacionar, e depois de algum tempo praticando melhoram em casa, no colégio, ganham confiança e se tornam adultos melhores. Também vemos pessoas carentes que encontram no esporte uma oportunidade de não entrar no crime e drogas. Sempre temos um resultado positivo nesse trabalho – explica Diego.

Jiu-Jitsu atrai diversos astros do UFC para o Brasil

A popularização recente do MMA por meio de ídolos brasileiros como Anderson Silva, Lyoto Machida e os irmãos Nogueira elevou ainda mais o nome do jiu-jitsu fora do país. Junto com os cinturões conquistados dentro do octógono, também vieram o reconhecimento e a propagação da arte marcial brasileira entre os atletas do UFC.

Atualmente é possível afirmar que todos os atletas do UFC são praticantes do jiu-jitsu e que a modalidade já decisiva em algumas lutas épicas na história recente do evento. O sucesso crescente culminou com a criação de academias brasileiras nos EUA e o treinamento de atletas estrangeiros no Brasil, cada vez mais comum.

Neste mês de maio, por exemplo, a Team Moraes recebeu diversos atletas do UFC, entre os quais estava Anthony Pettis, o próximo adversário de José Aldo na disputa pelo cinturão dos penas. Pettis passou um período no Rio de Janeiro para aprimorar sua técnica no chão e ambientar-se com a cidade, já que a luta ocorrerá na Cidade Maravilhosa, em agosto.

(Foto: João Pedro Lazanha) Anthony Pettis passa por período de treinos com Diego Moraes no RJ.

(Foto: João Pedro Lazanha) Anthony Pettis passa por período de treinos com Diego Moraes no RJ.

Durante entrevista coletiva, o desafiante de José Aldo deu sua opinião sobre a cidade e fez uma revelação curiosa.

- Estou adorando o Rio de Janeiro, é uma cidade que dispõe de muitas opções de lazer e diversão. Também estou aproveitando bastante os treinos na academia. Mas acho que não conseguiria chegar aonde estou na minha carreira hoje se morasse no Rio, há muitas formas de se desconcentrar aqui – afirmou o atleta.

A popularidade do UFC tem feito com que cada vez mais jovens tenham acesso a história, vida e cotidiano dos atletas. Como consequência, os lutadores se tornam ídolos e têm uma responsabilidade maior, já que precisam se preocupar mais em passar exemplos não só no esporte, mas também na vida.

- Pratico artes marciais desde os cinco anos e isso me ajudou a ser uma pessoa disciplinada em toda a minha vida. Faço o possível para passar uma boa imagem na mídia e passar bons exemplos para influenciar de forma positiva os jovens – disse Pettis.

Ainda neste mês a Team Moraes recebeu o lutador Chris Camozzi, que participou do primeiro UFC no sul do Brasil, em Jaraguá. E no final de maio a academia irá receber Scott Jorgensen, outro renomado atleta que irá passar por um período de treinos junto aos brasileiros.

Compartilhe

Esta entrada foi publicada em Esportes e marcada com a tag , , , , , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Os comentários estão encerrados.