BASE jumping: entre a paixão e o risco

Você talvez ainda não tenha lido nada a respeito do BASE jumping, mas certamente já viu imagens e vídeos desse esporte radical que tem conquistado cada vez mais adeptos ao redor do mundo. A primeira vista a modalidade se parece com o paraquedismo, com a diferença que os saltos são realizados a partir de um objeto fixo e não de uma aeronave. No entanto, as duas práticas são distintas e utilizam técnicas e equipamentos completamente diferentes.

De acordo com o site basejumper.com, maior portal do esporte na internet, o paraquedismo surgiu no século XIX, com o advento dos balões. Já os primórdios do BASE jumping são datados do século XX, quando alguns americanos começaram a saltar de objetos fixos, como em 1976, quando o dublê Rick Sylvester saltou do monte Asgard, no Canadá, para a sequência de abertura de um dos filmes da série James Bond. No entanto, exemplos como esse foram raros até a década de 80.

(Foto: http://gabriellott.wix.com/gabriel-lott-) Número de brasileiros praticantes multiplicou em quase dez vezes em apenas cinco anos.

(Foto: http://gabriellott.wix.com/gabriel-lott-) Número de brasileiros praticantes multiplicou em quase dez vezes em apenas cinco anos.

Pode-se dizer que o BASE jumping como conhecemos hoje teve início apenas na década de 90. Após dificuldades para encontrar locais adequados para a prática do esporte, os atletas conseguiram unir o conhecimento técnico necessário ao aperfeiçoamento do material. Com maior exposição na mídia, as fabricantes passaram a produzir equipamentos específicos para o BASE jumping, que passou a ganhar muitos adeptos após a virada do século.

Policial civil da Coordenadoria de Recursos Especiais, Gabriel Lott tem mais de 200 saltos no currículo e, apesar de estar no BASE jumping há apenas um ano e meio, é um dos brasileiros mais experientes no esporte. O atleta, que já deu aulas para iniciantes, explica o que é preciso para começar.

- Antes de qualquer coisa é preciso saber se a pessoa tem o perfil para a atividade. Por ser um esporte de alto risco, é necessário ter muito autocontrole para praticar. Em seguida, é aconselhável comprar seu próprio equipamento, o material completo custa em torno de cinco mil dólares. Normalmente, recomendamos que o interessado comece pelo paraquedismo. O ideal é que se tenha pelo menos 200 saltos do avião antes de começar no BASE jumping.

Gabriel é um dos integrantes da Equipe FAST, um grupo de cinco brasileiros que se uniu para desbravar novos locais para a prática do BASE jumping. Recentemente, os atletas inauguraram mais um pico, dessa vez em um dos mais importantes cartões-postais do país, o Corcovado.

(Foto: gabriellott.wix.com/gabriel-lott-) Última competição mundial de BASE wing aconteceu no Brasil.

(Foto: gabriellott.wix.com/gabriel-lott-) Última competição mundial de BASE wing aconteceu no Brasil.

- O nome da nossa equipe significa “a sorte acompanha os audazes”. E pode-se dizer que temos seguido o lema e mudado a história do BASE jumping no Brasil. Já abrimos vários lugares novos para o esporte, sendo o mais novo deles o pico do Corcovado. Cada vez que inauguramos um local é uma sensação incrível. Mesmo tendo um grupo de atletas experientes, o nosso esporte é de alto risco e fazer um salto que nunca foi realizado antes dá um frio na barriga, é muito emocionante – conta Gabriel.

O BASE jumper ainda explica a importância da segurança para o esporte. Todo cuidado é pouco, já que qualquer erro pode custar a vida do praticante.

- São duas as principais causas de acidentes fatais no esporte: falha e natureza humana. Falta de atenção na hora de dobrar o paraquedas, por exemplo, é uma das falhas humanas que acontecem e causam muitos acidentes. Já quando digo natureza, me refiro à vontade dos atletas em querer sempre superar seus limites. Chega uma hora que acabam encontrando, o que no BASE jumping pode ser fatal.

Existem duas modalidades dentro do BASE jumping: os saltos com asas, o wingsuit, e sem elas. De lugares mais altos, normalmente usa-se a roupa, que prolonga o tempo no ar e dá ao atleta a sensação de estar realmente voando. Em locais em que o tempo de queda é menor os praticantes utilizam apenas o paraquedas.

(Foto: http://gabriellott.wix.com/gabriel-lott-) O BASE jumping tornou o impossível real, os homens já podem voar.

(Foto: http://gabriellott.wix.com/gabriel-lott-) O BASE jumping tornou o impossível real, os homens já podem voar.

Um dos campeonatos mais importantes é o Mundial de Wingsuit. A última edição aconteceu esse ano na cidade de Castelo, no Espírito Santo. Foi a primeira vez que a competição foi realizada no Brasil, o que confirma o desenvolvimento do esporte no país. Para se ter uma ideia, há cinco anos atrás eram apenas três atletas brasileiros e hoje são entre 40 e 50 praticantes. Melhor representante do Brasil no Mundial, Gabriel Lott contou como funciona a competição e revelou a sua satisfação com seu desempenho e de seus compatriotas.

- O campeonato é dividido em três categorias: distância de voo, velocidade do salto e precisão no pouso. Os atletas são premiados por categoria e pela posição overall, que a soma das três. Terminei com a terceira colocação geral, atrás de um atleta da Noruega e outro da Nova Zelândia, e tivemos brasileiros no pódio em duas categorias. Acho que foi um resultado muito bom para nós.

No entanto, Gabriel não parece estar muito preocupado com a sua performance nos campeonatos:

- Meu principal plano para os próximos anos é saltar muito! Quero rodar o mundo descobrindo novos lugares para o BASE jumping e fazer imagens incríveis para mostrar aos meus amigos. Desde que comecei me sinto mais vivo. Qual ser humano nunca pensou em voar? É um esporte que lhe proporciona uma sensação única e incrível.

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