IPSC: Esporte para todas as idades

Está enganado quem pensa que o Tiro Prático é um esporte apenas para adultos e com regras e restrições mirabolantes. Quem frequenta competições ou clubes de tiro pode perceber que a atividade é praticada por gente das mais variadas faixas etárias.  Jovens, adultos e idosos convivem em um ambiente harmonioso, trocam experiências e se ajudam para aprimorar cada vez mais suas performances no esporte pelo qual são apaixonados.

Ao contrário de muitas atividades esportivas, o Tiro Prático exige variados tipos de esforços de quem deseja praticá-lo. Para começar a jogar o esporte mais popular do mundo, o futebol, por exemplo, precisamos apenas de uma bola. E ela pode ser feita de couro, plástico, meia ou até de papel.

IPSC em família: Claudia ao lado dos pais e da irmã.

O Tiro Prático, contudo, é uma modalidade que demanda muito cuidado e dedicação por parte dos atletas. Os gastos com equipamento são altos e a atividade exige treinamento constante. Para montar um panorama sobre as facilidades, dificuldades e prazeres do esporte, nossa redação entrevistou tanto jovens competidores quanto experientes atletas do tiro.

Aos 14 anos, a filipino-americana Claudia Vidanes é um exemplo de que o esporte é um ambiente familiar e agregador. Desde muito pequena, a jovem atiradora aprendeu a admirar o tiro graças ao seu pai, Jojo, campeão do mundial de Bali, em 2008, na divisão Modified. “Eu tive muitas lições de segurança quando praticava airsoft. Até que um dia meu pai me chamou para atirar de verdade. Não tive medo porque cresci nesse meio. Mas a segurança é o mais importante”, pondera a adolescente, que participou de seu primeiro mundial no ano passado, na Grécia.

O veterano campeão Nilton Fior, com 18 anos de tiro prático no currículo, corrobora a afirmação de Claudia:

- Avalio que todos podem praticar. Mesmo adolescente, na companhia de um de seus pais ou responsáveis, pode praticá-lo. Ressalto que para todos os interessados, independente da idade, se faz necessário que o regulamento do IPSC, principalmente no aspecto de segurança, seja plenamente conhecido e exercido – afirma Nilton.

Lucimar comemora o título mundial da Standard Senior

Primeiro brasileiro campeão mundial de IPSC, Lucimar Domingues, 54, acredita que o tiro é muito democrático porque não discrimina a faixa etária de seus participantes. “Ainda bem que existem atletas muito jovens competindo. Essa participação dos mais novos é importante para que o IPSC se renove e se torne cada dia mais popular e se fortaleça ainda mais”, diz.

 

A visão dos mais jovens

Como o tiro prático é um esporte dinâmico e que exige muito do aspecto físico, os atletas com menos idade têm algumas facilidades. Uma delas é justamente o vigor atlético: “Para correr, no deslocamento… Às vezes há uma janela mais baixa e a idade ajuda”, afirma o premiado atirador João Carlos Stevenson, de 21 anos.

Já Irair Rodrigues, 19, vê a falta de quilometragem dos novatos como um fator positivo. “O fato de chegar cru facilita o aprendizado, ajuda a aceitar e colocar em prática os ensinamentos com mais facilidade. As pessoas mais velhas já têm os famosos vícios. Muitos dizem que não tiveram oportunidade de aprender do jeito certo”, comenta a jovem atiradora.

Irair ao lado do marido Cristiano Meira em uma competição

No entanto, ambos nutrem admiração pelos atletas mais velhos. João acredita que eles têm um aspecto que lhes dá grande vantagem: a experiência.  “O Horácio Cariello, por exemplo, já atira há mais de 30 anos. Tem algumas pistas que ele faz de um jeito, com um certo macete, uns atalhos que eu, por não ter essa experiência, não consigo pegar”, confessa.

Claudia Vidanes acredita que competir com atiradores melhores e mais experientes traz apenas benefícios. “Competir contra eles é difícil, mas me estimula a tentar melhorar. Eu sempre posso aprender algo com quem já vem atirando há bastante tempo”, conclui.

 

A visão dos mais experientes

O atleta super sênior Josias Lucena, que completa 64 primaveras neste ano, avalia a experiência como algo a favor dos competidores mais antigos e a idade como a parte negativa. “Sinto falta dos reflexos e da agilidade. Buscamos amenizar esses pontos fracos com exercícios e bom preparo físico”, analisa o atirador, vice-campeão da divisão Open Super Senior, no mundial da Grécia, realizado no ano passado.

Josias e João ao lado de Horácio Cariello e Demétrius Oliveira

- A principal vantagem de ser mais velho é que isso nos dá um pouco mais de confiança e segurança na prática do esporte. Por outro lado, nós levamos um grande “baile da meninada” no que se refere ao excesso de energia, movimentação e resistência física. Mas isto é muito importante. Convivendo com a juventude, estamos sempre cientes de que devemos cuidar do nosso preparo físico para não ficarmos muito atrás em relação a essa garotada – diz Lucimar Domingues.

Para Nilton Fior, além da parte física, as preocupações e responsabilidades que a vida adulta traz também são um ponto a destacar. “Levamos mais tempo para recuperação física entre dias de treinamento. A probabilidade de sofrer lesões é maior e o período de recuperação também. E o tempo disponível para treinamentos é menor, já que são maiores as responsabilidades e os compromissos pessoais e profissionais”, comenta o atleta.

Nilton recebe o troféu de campeão da Standard no Nacional Open

A atividade é muito exigente no que diz respeito à técnica. “Há aquela ânsia em buscar aprimorar as técnicas. É dessa maneira que se consegue atingir o objetivo desse esporte, que é errar o mínimo possível. Essa modalidade é tão exigente que se falhar numa das diversas técnicas, o competidor já estará prejudicado em seu resultado. Elas não permitem erros”, afirma Lucimar.

Adolescentes, adultos e idosos. Para atletas de todas as idades, o Tiro Prático é uma paixão que proporciona um ambiente agradável, ajuda a criar disciplina e que sempre traz novos desafios. Na questão pessoal, é um esporte que pode dar ainda mais retorno ao praticante. Para Irair, o ganho é enorme para os atletas de Tiro Prático. “O IPSC vai muito além de tiros e armas. Me ajudou a melhorar a concentração e a controlar meu lado emocional. Passei a controlar a adrenalina e a me concentrar de uma forma madura e natural. Fora isso, conquistei um universo de amigos”.

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