
(Foto: Thiago Quintella) Patrocinado pela Guga Ribas Company, Alexandre Baixinho sonha em voltar ao UFC
Treinos exaustivos, dieta rigorosa e muito sacrifício. Essa é a rotina do lutador Alexandre ‘Baixinho’ Barros, patrocinado pela Guga Ribas Company, que sonha em voltar a disputar o Ultimate Fighting Championship (UFC). Aos 34 anos, Baixinho se aproxima do auge da carreira e traz histórias de superação na bagagem.
No penúltimo combate, contra o brasileiro Paulo ‘Rambinho’ Teixeira, o lutador sofreu uma lesão no joelho. No primeiro round, Baixinho prendeu o pé na grade e torceu o joelho, rompendo o menisco. Mesmo assim, ele continuou a luta até conquistar a vitória. Em seguida, veio a cirurgia e o convite para subir no octógono com o argentino Favio Martino, que vinha de cinco vitórias consecutivas e foi destaque de 2011 em seu país. Apesar da falta de tempo de recuperação, Baixinho não só aceitou o convite, como venceu a luta. “Eu nunca fui tão atleta como naquele momento. Ganhei dez quilos por causa da lesão e tive que ter muita disciplina com treinos e dieta para estar pronto”.
Após a vitória internacional, Alexandre Baixinho já soma quatro triunfos consecutivos e agora mira em um único objetivo: voltar ao Ultimate Fighting Championship. O atleta participou uma vez da edição, no UFC 93, quando foi nocauteado pelo dinamarquês Martin Kampmann. Na ocasião, Baixinho foi convocado de última hora para o evento e teve apenas 25 dias para se preparar. Ainda, carregava o peso da estreia em uma competição de alto nível, como é o UFC. No entanto, a meta é retornar ao Ultimate e ela parece não estar longe de ser alcançada. Por pouco Baixinho não disputou o UFC 142, no Rio de Janeiro. Não ter participado do evento, ainda assim, não desanima em nada o lutador. “Vou continuar trabalhando e treinando forte, porque novas oportunidades virão.”
Alexandre Baixinho luta desde criança. Passou pelo judô, boxe e jiu jitsu até conhecer o mestre Marco Ruas e começar a treinar Muay Thai e MMA, em 1988. Depois de aperfeiçoar-se em outras modalidades, Baixinho fez sua primeira luta oficial de MMA em 1998. Com outros lutadores, criou a Gracie Barra Combat Team, que sofreria um racha na equipe três anos depois. O lutador, então, decidiu criar a Baixinho Team. Hoje, o atleta representa a Carlson Gracie, onde treina diariamente com o mestre Ari Galo, e a Nobre Arte, que tem o mestre Cláudio Coelho como seu treinador de boxe.
A rotina puxada de treinos que é encarada com naturalidade, nem sempre foi fácil. “Era difícil deixar de ir jogar bola na praia com os amigos para ir treinar. Diziam que eu era maluco por gastar dinheiro para apanhar.” Mas a vontade de virar lutador era maior. O incentivo do irmão foi fundamental para que Baixinho seguisse na carreira. Situação parecida viveu o atleta Luis Beição, também patrocinado pela Guga Ribas Company, e que foi aluno de Alexandre Baixinho. A falta de incentivo levou Beição a desistir da luta por um tempo, mas ele voltou aos treinos e hoje é atleta contratado do UFC.
As dificuldades que os lutadores encontram em seguir carreira no Brasil muitas vezes passam pela falta de estrutura para os treinamentos. Os atletas estrangeiros contam com academias e equipamentos de última geração, enquanto os brasileiros precisam se superar com garra e vontade. Além disso, o atleta que decide ser lutador profissional de MMA deve estar ciente da eterna briga com a balança.
- Ninguém luta com o próprio peso. Os lutadores têm que fazer um sacrifício enorme antes de cada luta para perder o suficiente para entrar nas categorias. Meu peso normal, por exemplo, é 84 kg e eu luto na categoria até 77 kg. Só de chegar na balança antes de uma competição e ver que você alcançou o peso necessário já é uma vitória. Nos EUA, os suplementos são mais acessíveis, o que facilita essa briga com a balança – diz Alexandre Baixinho, que defende fazer intercâmbio como o ideal para os atletas brasileiros.
Nos últimos anos, a luta tem quebrado paradigmas e vencido preconceitos. Cada vez mais pessoas se tornam adeptas do esporte. E aqueles que ainda relutam não devem tardar a mudar de opinião. Basta vivenciar um dia, ou apenas um treino em uma academia. O respeito mostrado pelos lutadores tanto entre si, quanto com pessoas “de fora”, é enorme. Isso se deve à doutrina do esporte. “Normalmente, os lutadores começam cedo e desde criança aprendem a respeitar os outros, já que quando eles chegam são todos faixa branca, ou seja, qualquer um é mais experiente e melhor”. O respeito é levado para vida e, quando crescem, os meninos se lembram de que, um dia, já foram iniciantes. Assim, “sobrevivem” na luta, apenas aqueles que seguem com educação e respeito ao próximo.

