A importância da preparação física

Guga e seu preparador físico, Romildo Rabello

Guga e seu preparador físico, Romildo Rabello

O Tiro Prático é sabidamente um esporte que requer explosão física, velocidade, elasticidade, força, entre outros elementos que dependem do preparo físico do atleta. No entanto, nos estandes de tiro, é possível encontrar competidores em diversos níveis de preparação.

Em seu último artigo no site, Guga Ribas tratou a parte física como um “um item fundamental para o bom desempenho de qualquer atleta”. Para se manter bem preparado, Guga é acompanhado pelo profissional Romildo Rabello, com quem trabalha a preparação física três vezes por semana. Nos outros dias, mantém exercícios mais leves e uma alimentação balanceada.

Como estudioso da área, Romildo consegue enxergar a diferença entre dois atletas com habilidades técnicas elevadas, mas em diferentes níveis de preparação física:

- O preparo físico está voltado para a recuperação. A tendência é que um competidor que não está preparado, apesar de ter grande habilidade, chegue muito mal ao fim de uma prova. Quando há um campeonato com mais de um dia de duração, é natural que ele chegue ao próximo dia de competições sem estar 100% e isso faz diferença – afirma.

Dificuldades para trabalhar o físico

Caroline Faci divide a atenção entre os estudos e o Tiro Prático

Caroline Faci divide a atenção entre os estudos e o Tiro Prático

Em grande maioria, os atletas de IPSC têm outra ocupação durante a semana e, por isso, torna-se difícil conseguir tempo para se dedicarem tanto à preparação física quanto técnica.

Com 20 anos, a atleta Caroline Faci divide a atenção entre os estudos e o Tiro Prático. Para manter a preparação física em dia, ela divide a semana com três dias de corridas e dois de natação. Com isso, afirma que “ajuda a dar mais força, melhora a respiração e a facilidade de deslocamento”. Quando encontra mais tempo, ainda completa as atividades com musculação.

Jaime Saldanha Jr., aos 31 anos, lembra que, quando mais novo, tinha mais tempo para treinar, cuidar da alimentação e praticar outros esportes. Hoje em dia, tenta conciliar o surf e o triatlo com o trabalho. Com a atividade que faz nestas modalidades, Jaime afirma que mantém um preparo físico bom para competir no Tiro Prático.

Por outro lado, César Castro, da divisão Standard, tem tido dificuldades em manter o físico apurado para as competições de Tiro Prático. Além da falta de tempo habitual, tanto por ocupações profissionais como pessoais, Cesinha sofreu lesões nos dois braços e passou por uma cirurgia na perna direita.

- Meus melhores resultados apareceram quando estava bem preparado fisicamente. Boa condição física traz tranquilidade psicológica para enfrentar as provas. Agora, estou retornando as atividades físicas lentamente, com natação e exercícios de hipertrofia muscular de baixa intensidade, quatro vezes na semana – diz César Castro.

Diferentes níveis de preparação

Horácio Cariello, ex-campeão mundial no Desafio do Aço

Horácio Cariello, ex-campeão mundial no Desafio do Aço

Aos 48 anos, Horácio Cariello, que integra a equipe Open do Brasil no Mundial, confessa que não se preocupa mais com os preparos físicos e práticos para a modalidade. “Atividade física só uma ou duas vezes por mês (risos)”.

Com isso, o rendimento de Horácio, que já foi campeão mundial no Desafio do Aço, não é mais o mesmo nas provas de Tiro Prático. O atleta, no entanto, ressalta a importância de estar bem preparado fisicamente.

- Quando fui campeão do mundo no Desafio do Aço, eu estava bem fisicamente. Se continuasse treinando e bem preparado, dificilmente chegaria em segundo lugar em alguma prova, mas hoje isso não faz diferença para mim – afirma Horácio.

Por outro lado, Josias Lucena, aos 62 anos, e Lucimar Domingues, com 54, são vistos como referências de preparo e dedicação por outros atletas no IPSC.

Policial Federal aposentado, Lucimar sempre esteve com o preparo físico em dia. Desde criança, lutava karatê até começar a se dedicar ao Tiro Prático. Até pela exigência de sua profissão, o atleta, que integra a equipe brasileira de Standard Senior no Mundial, possui bastante força e resistência. Quando sofreu um acidente de automóvel, em 2004, o médico atestou que a fratura sofrida em seu braço direito – até hoje comprometido – seria muito mais séria, caso ele não tivesse músculos fortes.

Lucimar Domingues, 54 anos, e Josias Lucena, de 62 anos

- Agora, além de alternar caminhada e corrida, eu faço exercícios como flexão, abdominal e musculação. Também procuro compensar parte da força que eu faria no braço direito, prejudicado após o acidente, no braço esquerdo. Como eu sou destro, a minha mão que deveria ser a forte fica mais frágil. Por isso, eu costumo dar uma atenção especial ao meu braço direito nos treinamentos – diz Lucimar que, em 2008, foi campeão Mundial Standard Senior com a equipe brasileira e vice na disputa individual.

Josias Lucena é outro que preza ao máximo pela atividade física para manter bons resultados nas provas. O atleta, que começou a praticar o IPSC aos 44 anos, brinca com seu próprio nível de preparação.

- Por ter começado tarde no esporte, o preparo físico foi fundamental. Até porque não são todos os velhinhos que se cuidam e, assim, eu os coloco no bolso – diz em tom de brincadeira – Bem preparado, tudo dá certo: deslocamento, precisão e autoconfiança. Mal preparado, a cabeça manda, mas o corpo não obedece – completa Josias.

Preparação para o Mundial

César Castro e Guga Ribas

Às vésperas do Campeonato Mundial, os atletas fazem coro ao dizer que o bom preparo físico será fundamental para um bom rendimento na Grécia.

“Em um mundial, a tensão massacra. O bom preparo ajuda a diminuir esta tensão. Estar bem físico e mentalmente faz muita diferença”, diz Josias Lucena.

“Essa parte do treinamento é muito importante para um campeonato longo como é o Mundial. São seis dias. Se o atleta não tiver resistência física, no terceiro dia ele já vai estar muito fadigado”, afirma Lucimar Domingues.

O preparador físico do atleta Guga Ribas, Romildo Rabello, ratifica o discurso dos atletas, com a propriedade de ser um estudioso do assunto. O profissional lembra que a prova na Grécia, além de ter uma longa duração (seis dias), também pode exigir muito dos atletas caso o clima apresente altas temperaturas, como é típico na região.

- Os atletas devem se preocupar principalmente com a hidratação. Eles podem ter um repositor, de acordo com o que o nutricionista passar. Você tem que saber o quanto vai ser exigido ao longo do dia, chegar no horário da prova bem hidratado e manter essa hidratação. A falta disso pode dar uma queda na parte do condicionamento. Como é uma prova de longa duração, além da hidratação, é preciso cuidar da alimentação – afirma Romildo.

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