Um ótimo roteiro para curtir as belezas da França

Cours Mirabeau: onde tudo acontece na cidade.

Cours Mirabeau: onde tudo acontece na cidade.

A Med Cup de 2011 de Tiro Prático aconteceu em Cheval Blanc, na França, por isso resolvemos falar um pouco mais sobre essa região que eu e o Guga já visitamos e voltamos para aproveitá-la um pouco mais, após o campeonato desse fim de semana.

Cheval Blanc é uma cidadezinha ao lado de Cavaillon, que é mundialmente conhecida pelos seus melões. Esta cidade está estrategicamente posicionada entre os Alpes da Provence e o Luberon e entre os departamentos de Bouches Du Rhone e Vaucluse. Esta região, conhecida internacionalmente pelos seus intermináveis campos de lavanda e de girassóis, pelos seus vinhedos e pela sua culinária, recebe um sem número de turistas, principalmente durante os meses de junho a agosto, época da florada da lavanda que é sem dúvida um espetáculo único. Mas nem só de lavanda vive a Provence. Mesmo fora desses meses, os passeios a se fazer são inúmeros, sem contar a comida e os vinhos, dando preferência, nesta região, aos rosés. Cada cidadezinha tem o seu e todos valem a pena!

Aix-en-Provence: Preserva a sua importância histórica com o tempero da agitação universitária.

Mercado ao ar livre é uma das atrações de Aix-en-Provence.

Mercado ao ar livre é uma das atrações de Aix-en-Provence.

Aix-en-Provence é a maior cidade da região, mas pode perfeitamente ser explorada a pé. Na Praça Richelme é montado todo dia o mercado de frutas, verduras, queijos e frios. O que mais chama a atenção é a quantidade de jovens e crianças: Aix-en-Provence foi a capital dos duques e barões do condado da Provence no século XII e começou a receber estudantes com a chegada da universidade, no século XV. É uma cidade apaixonante, que consegue ser ao mesmo tempo elegante, com seu passado preservado, e agitada, com os universitários lotando todos os cafés e fazendo concertos ou shows no Cours Mirabeau. Aliás, esse boulevard, que já foi uma muralha e depois virou avenida para carruagens, é onde tudo na cidade acontece. De um lado da avenida estão os cafés envidraçados e as lojas de grifes. Do outro, permanecem as mansões do século XVII. Atrás do Cours Mirabeau fica o centro antigo, cheio de lojas alternativas, bares, delicatessen e restaurantes. Recomendo a tartelette de framboesas do ChezPaul: inesquecível!

Tudo na cidade se remete a Cézanne. Foi lá que ele nasceu e foi lá também que pintou as 87 versões de sua Montanha Sainte-Victoire. A visita guiada ao seu ateliê é imperdível, mas é bom marcar hora na Maison du Tourisme para não ter problemas.  O casarão é no meio de um bosque e o ateliê está do mesmo jeito que foi deixado.  Mas o melhor de tudo é, após a visita, continuar subindo a ladeira até chegar ao mirante onde Cézanne passava horas pintando sua montanha. Mesmo para quem não sabe desenhar nada, a paisagem nos dá vontade de ficar horas por lá, tirando fotos que acabam parecendo quadros, graças à luz mágica da Provence.

Passeios de barco são o charme de Cassis.

Passeios de barco são o charme de Cassis.

Cassis, conhecida pelas suas “calenques”, é linda e lembra muito Saint-Tropez  antes da fama. Para ver as falésias mais famosas da França é preciso pegar um barco. Existem três tipos de passeios: o curto, que vai a três calenques, o médio, que vai a cinco e o longo que passa por oito calenques. Recomendo o passeio médio, isto se o mar não estiver muito agitado. O contraste entre o mar azul turquesa e as falésias branquinhas é maravilhoso! No porto há vários restaurantes, cuja especialidade é a bouillabaisse. A sorveteria é o “point” de moradores e turistas, é muito boa.

 

“Assim como Aix é de Cézanne, Arles é de Van Gogh”

O hotel La Bastide de Gordes.

O hotel La Bastide de Gordes.

Arles é a mais ou menos uma hora de estrada de Cassis, passando por várias pontes e viadutos, construídos pelos romanos. A cidade se encontra na embocadura do rio Rhône. Foi lá que Van Gogh morou durante grande parte de sua vida e foi numa pensão dessa cidade que ele pintou um de seus quadros mais famosos, “Quarto em Arles”. As ruínas romanas estão por toda parte, culminando com o anfiteatro (Les Arènes), de fazer inveja até ao Coliseu. Na entrada da arena há uma reprodução do quadro de Van Gogh, “Les Arènes”. Assim como Aix é de Cézanne, Arles é de Van Gogh.

Depois de Arles, interessante é seguir em direção de Les Saintes Maries de la Mer. O caminho até lá é bem selvagem, com muito mato, rios, pássaros e touros e cavalos soltos ao longo da estrada. A cidade é conhecida como a terra dos ciganos, porque é lá que eles fazem sua convenção anual. Na verdade, é a capital da Camargue, o lugar onde o rio Rhône encontra o Mediterrâneo. As praias são de fazer inveja a qualquer pedaço da Côte d´Azur. Frequentada apenas pelos franceses (e alguns italianos), a cidade é cheia de lojinhas e restaurantes sofisticados. A igreja, Notre Dame de La Mer, no meio da praça é um encanto à parte e tem papel fundamental na história da cidade, pois foi construída no século IX para ser uma fortaleza, onde a população pudesse se refugiar durante os ataques dos piratas. A especialidade dos restaurantes na Camargue é o filet de touro, regado com um bom vinho tinto, é claro!

O vilarejo de Oppède Le Vieux, todo feito de pedra.

O vilarejo de Oppède Le Vieux, todo feito de pedra.

Avignon fica no coração da Provence, propriamente dita. Recebeu o título de Patrimônio da Humanidade da Unesco e todo o seu centro histórico é envolto por uma muralha. A famosa ponte vale a visita, até porque oferece a vista mais bonita da cidade. O Palais des Papes, maior palácio gótico da Europa, foi residência dos papas durante 70 anos (enquanto eles foram franceses) e dispensa apresentação. Destaque para os jardins do palácio no alto. Para quem não gosta de andar, o passeio de trenzinho leva até lá.

Chateauneuf du pape não é só nome de vinho. A cidadezinha parece ter sido tirada de um filme bem antigo. De modernos, apenas os cartazes coloridos de vinícolas famosas convidando para degustações de vinhos. No alto, ruínas de um castelo. As degustações de vinho são inúmeras e gratuitas. Existem bons, mas poucos restaurantes e é altamente recomendado que se faça uma reserva.

As vilas de Luberón: inspiração para livros e filmes

O Lubéron é uma cadeia de montanhas com as vilas penduradas (villages perchés) umas ao lado das outras. É o cenário de vários livros e filmes de Marcel Pagnol. Impossível falar de todas, mas algumas são imperdíveis:

Ménerbes abrigou Peter Mayle e Picasso.

Ménerbes abrigou Peter Mayle e Picasso.

  • Oppède-le-Vieux, chama a atenção de longe: Cidadezinha toda feita de pedra, abandonada. O estacionamento é na parte baixa. Sobem-se muitos degraus pelo parque natural até chegar ao alto, mas a vista vale qualquer sacrifício.
  • Ménerbes foi a casa de Peter Mayle quando ele escreveu “Um ano na Provence”, além de ter abrigado o Picasso durante um tempo. Aqui também é preciso deixar o carro no estacionamento e sair para conhecer a cidade a pé. Em cada cantinho, uma surpresa em forma de lojinha, de restaurante ou de moldura para uma foto maravilhosa. A curiosidade é que eles não têm licença para vender bebidas alcoólicas. É em Ménerbes que fica o Museu dos saca-rolhas, dentro de uma vinícola importante da região.
  • Bonnieux merece uma parada na varandinha de um bar, na estrada, para beber um bom vinho, com direito a uma vista perfeita.
  • Apt, famosa por seus intermináveis campos de lavanda, que só ficam floridos de junho a agosto, vale uma parada mesmo fora destes meses. Tudo é lindo, a começar pela praça logo na entrada.
  • Rousillon é a cidade dos ocres. Todas as casas foram feitas com terra do local e a gama de cores vai do amarelo ao vinho. Inesquecível!
  • Gordes tem um dos hotéis/spa mais famosos da região: La Bastide de Gordes, que tem que ser reservado com meses de antecedência. O vilarejo é “village classé”, ou seja, é considerado um dos mais bonitos da França. O que impressiona logo na entrada é seu imponente castelo. Não faltam lojinhas de especialidades e de lembranças, cafés e restaurantes bem simpáticos. A igreja é linda e o restaurante ao lado bem decorado e com uma culinária leve e deliciosa. Não tem carta de vinhos. Cada cliente escolhe o seu na adega. As mesas são servidas pelas donas, jovens e bonitas.
A feira de domingo em L'isle sur La Sorgue.

A feira de domingo em L’isle sur La Sorgue.

Domingo é dia de feira em L’Isle sur la Sorgue. O mercado, ou feira do domingo, ocupa os dois lados do rio, ou seja, a cidade inteira. Mais uma vez, é preciso deixar o carro no estacionamento.  Todos os habitantes de L’Isle e dos vilarejos vizinhos parecem marcar encontro lá nos domingos ensolarados: uma verdadeira festa! Frutas, flores, antiquários, vinhos, queijos, frios, biscoitos, restaurantes improvisados ao ar livre, vendedores de chapéus, de tecidos, de quadros, de mel… Ao longo do rio, vários bons restaurantes.

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