A Competição – Parte 1

“O que aparece nas competições é apenas a ponta do iceberg. Por trás disso tudo existe muito trabalho”

Vivo no mundo da competição há 34 anos. Hoje, aos 46, significa que passei mais de 70% da minha vida competindo. Depois de muito refletir sobre isso, achei que essa longa vivência e meu currículo me credenciariam a dividir um pouco dessa experiência com outros atletas no intuito de ajudá-los e incentivá-los. Por isso, decidi escrever uma série de artigos sobre o tema que mais me encanta: A COMPETIÇÃO.

Foto tirada em 1980, durante uma ultrapassagem minha a um adversário.

Foto tirada em 1980, durante uma ultrapassagem minha a um adversário.

Na realidade, levei muitos anos para descobrir que era a competição que me movia. Com apenas 13 anos, em 1977, comecei a correr de kart e pensei que a minha paixão era pelo esporte que eu tanto me dedicava. Mais tarde, em 1987 passei a correr de automóvel e, por mais dez anos, achei que minha paixão era a velocidade. Mas foi em 1997, quando comecei a competir no Tiro Prático, que eu percebi que apesar das inúmeras, mas não explicitas semelhanças e analogias entre os dois esportes, não era nem o kart, nem a velocidade e tampouco o tiro que me encantavam. O que realmente mexia comigo, me motivava e, de fato, era a minha grande paixão, era a competição e tudo que gira em torno dela.

Isso não quer dizer que eu não goste dos esportes que pratiquei e pratico. Sempre gostei de corridas de carro e de armas. Até porque, se a idéia é competir, é preciso afinidade e interesse pelo esporte ou atividade escolhido. E muitas vezes, essa escolha não é nada fácil. É comum que o atleta tenha dificuldade para escolher a atividade que o fará querer ir adiante. Eu mesmo pratiquei vários outros esportes, antes de optar pelo kart e posteriormente o IPSC. Por outro lado, muitos amigos já me ouviram dizer que não tenho o dom para o tiro e que nunca tive o dom de guiar e a maioria acha graça disso. Mas é a mais pura verdade! Os meus resultados advêm de muita disciplina, dedicação, estudo, perseverança e muita paciência. O que aparece nas competições é apenas a “ponta do iceberg”. Por trás disso tudo existe muito trabalho!

O treinamento é fundamental para a competição

O treinamento é fundamental para a competição

O dom que tenho – se é que tenho mesmo – é ser autodidata ou, em outras palavras, ter uma grande facilidade de me desenvolver em qualquer coisa que eu tente fazer. Com isso, desenvolvi ao longo desses anos de competição uma metodologia de autodesenvolvimento contínuo, assunto que tratarei numa outra oportunidade.

A partir dessas duas constatações, – minha paixão pela competição e que eu não era um atleta nato – me estimulei a estudar de forma mais estruturada todos os tópicos ou fundamentos que compõem uma competição. Boa parte deste trabalho parte da minha constante análise sobre as minhas experiências: vitórias, derrotas, sucessos e fracassos. Além disso, complemento o meu conhecimento a partir do estudo do desempenho, trajetória e comportamento de outros atletas e personalidades dentro ou fora dos esportes.

O Treino e a Competição

Treino é treino e jogo é jogo! Absolutamente óbvio, mas nada simples. Os dois ambientes fazem parte da competição, mas geram diferentes tipos de desgaste e pressão sobre os atletas. Por isso, precisam ser tratados com a mesma importância e cuidado para o bom resultado final. Eles estão inseridos em cada um dos componentes fundamentais que irei descrever nos próximos artigos.

Veja nos próximos artigos:

  • Técnica;
  • Tática ou estratégia;
  • Mental;
  • Equipe;
  • Comportamento;
  • Preparo Físico;
  • Acadêmico;
  • Econômico;
  • Alimentação;
  • Overtraining.

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