Tiro Prático para as mulheres

Um esporte envolvente, com muita ação, obstáculos e desafios. Essas características costumam se tornar evidentes e provocar curiosidade após o primeiro contato com o Tiro Prático. Culturalmente, é natural que o fascínio pelo esporte de ação que utiliza a arma de fogo como instrumento seja mais frequente entre os homens. Mas como tem acontecido em muitos outros esportes, as mulheres estão descobrindo o Tiro Prático e cada vez mais se destacando nos campeonatos nacionais e internacionais.

É comum que o interesse dessas atletas pelo esporte seja despertado pela influência do pai ou do marido, por exemplo. A atleta brasileira Tamara Auler, que pratica o esporte desde 1992, conta que, nessa época, as poucas atiradoras conheciam o Tiro Prático através dos seus maridos, e afirma: “Eu fui uma delas! Comecei no esporte com total incentivo do meu marido (Eurico Auler), e quando percebi, já estava completamente envolvida”. Após quase 20 anos de competição, a paixão do casal pelo esporte contagiou a filha, Erika Auler.

No início, a atiradora lembra que chegou a achar que não levava muito jeito. “Estranhei o barulho do tiro e a agilidade que precisava ter. Eu tinha receio de correr e cair na pista, mas não desisti”. O atirador Marcello Torres, Gerente Executivo da Guga Ribas, explica que o primeiro passo para a mulher se tornar uma atleta de Tiro Prático é vencer o medo: “Depois que elas se familiarizam, costumam mostrar aptidão para o esporte. Elas chegam livres de preconceitos e se preocupam mais na sua evolução do que em ser melhor que o outro”.

O Tiro Prático é considerado um esporte democrático, não há diferenças entre homens e mulheres, todos competem juntos. Marcello explica ainda que as únicas diferenças da mulher em relação ao homem são anatômicas: “A mulher costuma ter o tronco e os membros superiores mais frágeis que os dos homens. Outro ponto que influencia e dificulta é a cintura mais alta. Isso faz com que elas precisem fazer um movimento maior para sacar a arma”.

A valorização da mulher no esporte

Tamara conta que já se divertiu muito com o nervosismo dos homens, principalmente em alguns Shoot Off’s – duelos que ocorrem no fim dos campeonatos. “Uma vez, perdi apenas para um atirador no final de um Shoot Off de um campeonato regional que aconteceu em Porto Alegre. Foi muito engraçado perceber a tensão dos homens ao perder para uma mulher, ainda mais numa região que tem a fama de ter uma cultura machista! O bacana é que vira uma brincadeira e meu marido também vibra comigo!”

Julie Goloski, atleta americana e fundadora da Women of USP

Julie Goloski, atleta americana e fundadora da Women of USP

Nos Estados Unidos, grupos de atiradoras se unem para discutir e divulgar assuntos ligados ao Tiro Prático. Julie Goloski, uma das melhores atiradoras dos EUA, fundou a Women of USPSA (http://www.womenofuspsa.com) e sempre participa de discussões sobre o assunto. “Por ser um esporte que tem o predomínio da atuação masculina, nós desenvolvemos um trabalho online através de site, blog, vídeos no Youtube e mídias sociais para comemorar as conquistas e divulgar a atuação das atiradoras no Tiro Prático. Assim, também encorajamos outras mulheres a praticar o esporte!” Julie também é membro da WOMA (http://thewoma.com), que tem o mesmo objetivo da Women of USPSA, com o diferencial de dar ênfase à cobertura da mídia sobre as mulheres que atuam não só no Tiro Prático, mas na caça, na pesca e no tiro com arco.

Jovens atiradoras brasileiras se destacam

Caroline Faci, campeã de Shoot-Off no Campeonato Europeu 2010

Caroline Faci, campeã de Shoot-Off no Campeonato Europeu 2010

Atualmente, não é difícil perceber do interesse da juventude pelo Tiro Prático. “Acredito que a influência dos pais esteja despertando o interesse dos filhos”, diz Tamara. Esse foi o caso da filha da atleta, Erika Auler, 23 anos e Caroline Faci, 19 anos. “Quando meu pai passou a frequentar um clube, em 2004, me convidou para ir num dia de prova. Eu participei e dali pra frente não parei mais”, conta Carol. Outro exemplo da equipe das jovens atiradoras brasileiras é a jovem Irair Rodrigues, 18 anos, que vem se destacando nos campeonatos nacionais e internacionais.

A paulista Caroline Faci conta que surpreende a todos quando explica sobre o esporte que pratica. Segundo a atleta, a curiosidade das pessoas é inevitável. Ela diz que também é comum o interesse das mulheres pelo esporte: “Quando as minhas amigas passam a conhecer o Tiro Prático costumam gostar, e algumas também pensam em começar”. Carol complementa que observa a dificuldade de algumas mulheres para competir: “Elas treinam, mas não participam de grandes campeonatos porque precisam se dedicar aos filhos e à casa”. Segundo a Federação Paulista de Tiro Prático, atualmente, 11% dos atletas federados são mulheres.

O início da participação feminina no esporte

O Tiro Prático é um esporte muito recente. Porém jogos e práticas que originaram o Tiro Esportivo e o Tiro com Arco eram comuns entre os monarcas. A popularização desses esportes foi fundamental para o nascimento do Tiro Prático:

  • O Tiro Esportivo surge em meados do século XIX. Nesse momento, já era possível observar uma das primeiras atiradoras dos EUA. Annie Oakley era atiradora e se apresentava em shows, exibindo sua ótima pontaria. Além disso, ensinou muitas mulheres a usar arma não apenas como defesa pessoal, mas como uma forma de exercício físico e mental.
  • Em 1920, o Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro olímpica e se firmou no esporte, mas apenas no fim da década de 60 é que foi possível observar a participação feminina no tiro desportivo.
  • Em 1972, nas Olimpíadas de Munique, as mulheres puderam competir em igualdade de condições com os homens, perdurando esta situação até Moscou, em 1980. Nos Jogos de 1984 em Los Angeles, elas participaram de categorias distintas em três eventos.

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