A Evolução do Vinho Argentino e Suas Particularidades

Desde o século XX a cultura vinícola argentina vem se desenvolvendo e, hoje, o país é um dos mais importantes produtores de vinho do mundo. Após muitos investimentos no setor, a bebida tornou-se um dos produtos mais exportados do país e seus vinhedos passaram a atrair anualmente milhares de turistas que desejam conhecer a “Rota do Vinho”.

As novas tecnologias, aliadas à natureza favorável da região andina e ao interesse dos argentinos pelos seus vinhos finos, contribuíram para esse sucesso. Como afirma Guillermo Guelfo, Diretor Acadêmico da Escola Argentina de Vinhos: “A indústria do vinho na Argentina tem passado por um processo de desenvolvimento muito positivo nos últimos quinze anos. Estamos fazendo um grande trabalho interno, não somente investindo em maquinarias e equipamentos, mas também em formas de pensar e fazer o vinho”.

Segundo Guillermo, o crescimento da gastronomia no país, a partir da década de 90, impulsionou o crescimento do vinho. “E essa harmonia continua sendo essencial”, afirma ele. A Argentina produz tanto vinhos leves para saborear com comidas de sabor suave, quanto vinhos mais potentes, indicados para acompanhar comidas mais substanciosas. E o melhor de tudo: não é preciso pagar caro para saborear um bom vinho argentino!

Algumas uvas nobres da vinicultura argentina e sua harmonização:

Malbec

A Argentina produz o melhor vinho Malbec do mundo. É um vinho denso, escuro, no qual se sobressai o aroma das frutas vermelhas e florais. Possui boa acidez e complexidade quando criados em barris de carvalho. A uva amadurece no meio do verão. Seu ponto ideal para o consumo é entre o segundo e o quinto ano da colheita.

  • Harmonização: É um vinho ótimo com carnes vermelhas (lembrando que essa é base da gastronomia argentina), queijos duros (suaves e de acidez mais baixa) e churrasco.

Torrontés

Presente em todas as regiões produtoras do país, é uma uva bem típica da Argentina, sendo difícil de encontrar em outro lugar. O aroma floral é inconfundível.  Produz vinho branco, doce e espumante.

  • Harmonização: Ideal para acompanhar comida oriental, tailandesa ou a comida típica do nordeste argentino.

Cabernet Sauvignon

Um vinho intenso e rico, que demora um pouco mais para chegar ao seu ápice. Precisa ser conservado de uma maneira especial. No noroeste argentino, sua cor é intensa e com aroma de pimenta verde: na região de Cuyo é mais frutado, lembrando groselha; e nas regiões mais austrais, tem sabores minerais e terrosos.

  • Harmonização: Acompanha principalmente carnes vermelhas e queijos intensos.

Syrah

Se adapta a regiões mais quentes e com mais dias de sol, como o Vale de Tulum, a província de San Juan e o leste da província de Mendoza. Apresenta cores escuras e intensas, como framboesa e violeta. Os aromas variam entre florais, especiarias e animais – após ser conservado de uma maneira mais específica.

  • Harmonização: É o que melhor combina com carnes de javali, coelho, peru, porco e bode.

Rota do Vinho

A qualidade das terras, a altura e a amplitude climática da Argentina andina tornam essa belíssima região ideal para a produção de vinhos. Para facilitar a vida dos turistas interessados tanto nos vinhos quanto nas belezas naturais, foram organizadas rotas onde os visitantes conhecem um pouco mais sobre o mundo dos vinhos, vivenciam o funcionamento das adegas e vinhedos, conhecem a gastronomia local e admiram as inúmeras belezas naturais da região.

Para entender melhor o processo de vinificação da uva, os visitantes atravessam as províncias de Rio Negro, Neuquén, Mendoza, La Rioja, Catamarca e Salta. Esse processo tem início com a coleta, passa pela moagem, fermentação do líquido em tanques, coloração em tonéis de carvalho, até chegar, finalmente, no grande momento da degustação.

A Patagônia também possui ambiente propício para a produção de vinhos de ótima qualidade. A bodega mais famosa é a Del Fin del Mundo (San Patrício del Chañar) que leva esse nome porque fica em Ushuaia, numa região conhecida como “Fim do mundo”. Lá é possível encontrar mais três bodegas da Rota do Vinho: Família Schroeder (San Patricio del Chañar), NQN (San Patrício del Chañar) e Del Añelo (Añelo).

Mendoza aos pés das Cordilheiras dos Andes. Quase todas as variedades de uvas nobres se adaptam com facilidade as suas terras, com destaque para a Malbec. É onde se encontra a maior quantidade de adegas e, naturalmente é a região mais visitada, embora o número de turistas que procuram as vinícolas de San Juan, Salta e da Patagônia tenha aumentado consideravelmente nos últimos anos.

Na zona norte da província são produzidos vinhos brancos frutados e tintos jovens. Na zona leste, encontra-se a maior produção e a zona do Vale do Uco é conhecida por ser a mais alta e mais fria. As quatro principais regiões são:

Centro

Fica a 20 km de Mendoza. Lá são produzidos vinhos famosos, tanto industriais como familiares e “boutique”. São os departamentos de Godoy Cruz, Guaymallén, Maipú e Lujan de Cuyo. Nessa região existem numerosos hotéis e restaurantes.

Vale de Cuyo

Suas adegas são grandes e com instalações modernas para elaboração de vinhos da categoria premium. É responsável por 90% do vinho exportado pela Argentina. Sua principal fonte de renda é a videira, por isso é o local que possui o maior número e variedade de atrativos e estrutura para os turistas, tornando-se assim um ponto de referência. Seus departamentos são: Tunuyán, Tupungato e San Carlos.

Vale Central

Tem a maior quantidade de vinhedos de Mendoza. Atualmente, suas adegas aumentaram a produção de vinhos premium e, por isso, mais turistas começam a visitar a região. Abrange os departamentos de San Martín, Santa Rosa, Rivadavia e La Paz.

Região Sul

Encontra-se no centro geográfico da província. É composta pelos departamentos de General Alvear e San Rafael, que possui famosas adegas.

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